A importância do cuidador

por

Hoje tenho que vos falar de um assunto muito importante. A existência dos cuidadores informais. Pessoas altruístas e que muitas vezes abdicam de cuidar de si próprios em prol de uma atenção redobrada dirigida às pessoas que amam e de quem querem cuidar.

O “cuidador” é, muitas vezes, um assunto tabu, mesmo para os próprios doentes. Felizmente que no meu seio familiar existiu – e continua a existir – a capacidade de falar sobre o tema de uma forma aberta.

Assumir que estamos limitados em algumas tarefas e não ter vergonha de pedir ajuda é um primeiro passo no sentido de conseguir o apoio necessário. E, no meu caso, nem sequer precisei de pedir…. a ajuda acontece de forma perfeitamente natural.

Nestes 15 anos de convívio e proximidade com a EM sei que sem o apoio (e amor!) do meu marido e da minha família tudo teria sido mais difícil. Graças a eles consigo gerir a minha vida pessoal e profissional da melhor forma, sem que nada falhe. Mas, lá está, continuo a reforçar a ideia de que eu sou uma rapariga com sorte…

Quando se fala em prestação de cuidados à pessoa com EM, sabemos que, infelizmente, a maioria dos doentes que recebem apoio já estão acamados e, inclusive, que existem jovens que são “atirados” para lares por falta de alternativa – porque os pais, também eles, precisam de cuidadores.

É urgente acabar com estas situações e garantir que a figura do cuidador – seja familiar ou profissional – possa estar presente também nas fases mais precoces da doença, sempre que seja necessário, seja para o acompanhamento às consultas, ajudar na administração da terapêutica, ir às compras ou realizar as tarefas domésticas mais pesadas, pois sabemos que existem situações que podem exigir um apoio adicional devido a dificuldades motoras ou mesmo cognitivas. Nunca é demais lembrar que, embora não tenha ainda sido criado em Portugal o Estatuto do Cuidador Informal, a Associação Nacional de Esclerose Múltipla (ANEM) tem uma seção de apoio ao cuidador (http://www.anem.org.pt/?p=1912) que proporciona apoio psicológico, programas psico-educativos e sessões de esclarecimento a todos os cuidadores. Além disso, dispõe de um Serviço Social para intervir nos problemas socioeconómicos, atendimento e acompanhamento social, apoio psicossocial, encaminhamento de situações para serviços competentes e articulação com entidades parceiras, bem como com carácter informativo relativamente aos direitos sociais. Também a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM)tem formações dirigidas aos cuidadores. Não deixem de visitar as páginas destas associações de doentes e sociedade médica e aprender mais sobre o estatuto do cuidador informal. É que além de melhorar o apoio que presta, pode também melhorar o seu nível de conhecimento sobre este tema e aprender que é também fundamental cuidar de quem cuida.

0

Ainda sem comentários.

O que pensa?

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.